Na última terça-feira (2), por volta do meio dia, uma moradora de Nagoia, Aichi, chamada Kátia Kawano, relatou que sofreu nesta semana um ataque xenofóbico por um homem.




 

A mulher declarou que, apesar da polícia ter registrado a sua queixa, se sente chateada pelo fato de que as testemunhas locais não tenham feito nada para impedir a agressão.

O ocorrido aconteceu quando Katia foi comprar alguns itens de limpeza em uma loja de 100 ienes perto de sua casa, na região de Mizuho.

Como um dos produtos não apresentava código de barras, a moça do caixa teve que se ausentar por alguns momentos, para verificar o preço.

“Nisso, pedi desculpas para os demais da fila. A moça do caixa voltou, paguei e, quando estava indo embora, um homem que estava na fila começou a me xingar”, relata.

Katia disse que estava tentando sair da loja, quando foi abordada pelo homem, que tinha na faixa dos 40 anos de idade, que gritava com ela.

“Ele me chamou de gaijin, disse várias palavras horríveis e não quis me deixar ir embora”, conta. “Eu disse que ele não precisava ficar assim só por causa da espera na fila. Mas mesmo assim ele e intimidou. O mais estranho é que todos estavam assistindo e ninguém fez absolutamente nada para impedi-lo”, reclama.

Logo seguinte, o homem se aproximou de Katia, ameaçando-a com um gesto de soco.

“Naquela hora fiquei muito nervosa, mas não sei como consegui me conter. Falei que não queria brigar e chamei a polícia, reclamando que havia um homem que não estava me deixando ir embora da loja”, diz

Após a chegada da polícia, Katia relatou tudo o que ocorrera e mencionou as palavras preconceituosas dirigidas a ela, por ser estrangeira.

“Ainda sim o homem, em outra sala, dizia que iria me agredir mesmo, independente de ser mulher. A polícia tentou contê-lo, mas não fez nada além disso”, afirmou. “Disseram que não era crime, ja que não fui agredida fisicamente”, lamenta.Katia ainda disse que o homem exigiu que ela se ajoelhasse perante ele e se desculpasse.

Ela refutou prontamente “Eu só disse que a vida dele deveria ser uma droga, por querer se sentir superior aos outros. Quanto à polícia, eles apenas disseram que iriam me levar para casa em segurança. E eu disse que isso era o mínimo que eles podiam fazer”, lembra.

“em 22 anos de Japão, eu nunca havia passado por isso. Ja morei na inglaterra e já viajei para outros países, mas nunca sofri esse tipo de discriminação. Mas o que mais me deixou chateada, foi ver as pessoas testemunhando o fato e ninguém tomando nenhuma providência”.

Para Katia, não é de se espantar que uma pessoa passe mal na rua e ninguém pare para socorrê-la. Ela afirma que certa vez estava indo até a prefeitura da região onde mora e no corredor que seguia para chegar aos elevadores, viu um rapaz caído, sofrendo uma convulsão.

“Na hora procurei segurar a cabeça dele, colocando-a sobre as minhas pernas. Eu gritava pedindo para alguém chamar a ambulância, mas ninguém parou para ajudar. No fim, tive que largar o rapaz se debatendo, para que eu mesma pudesse chamar a ambulância”.

8 COMENTÁRIOS

    • Morei dez anos no Japão, faz quase 20 que voltei ao Brasil. Muitos me perguntam se tenho vontade de voltar ao Japão, quando respondo que não, nem para passear, as pessoas se espantam. Meu maior motivo é a discriminação, não quis criar meu filho lá, pois apesar de ele ter nascido no Japão, sempre seria um “gaijin”. Nosso país, apesar de todos os problemas, é o nosso lugar. Agradeço pela oportunidade que tive no Japão, não posso deixar de reconhecer.

  1. Em 1974, recém formado, fui levar meu pai de volta ao Japão após 45 anos de Brasil. Para meu espanto e decepção, fiquei com a impressão de que os japoneses eram apenas tolerantes com os ocidentais, bastante polidos até. O que não foi o seu caso. Vi um nissei norte-americano sofrer booling na recepção do hotel por não entender e falar japonês (pecado mortal p quem tem a cara oriental; minha mãe sabia disso e me ensinou em casa. Dizia : com essa cara, se não falar japonês vai se dar mal. Isso de quem veio ao Brasil em 1924). Eu levei uma bronca de um alto empresário japonês, num bar luxuoso de Tokyo, por estar conversando (em inglês) com um senhor norte-americano. Fiquei assustado e decepcionado na hora, e achei que era impressão muito particular minha. Nunca comentei essa impressão que tive. Infelizmente eu não estava enganado. Em tempo, o empresário exportava seus produtos p o ocidente. Peço desculpas e paciência pelo inconveniente. Essa é a cultura daí. Ainda bem que nasci e vivo há 76 anos no Brasil, embora com seus problemas. Sofremos booling, principalmente durante o período da 2a guerra mundial, mas hoje estamos bem integrados aqui. Minha falecida esposa era de família italiana. Tenho filhos mestiços lindos e muito bem educados. Sou arquiteto e professor aposentado. Coragem e paciência. Gambareh!!!

  2. eu ja passei por issoem um restaurante e nao vi nenhuma atitude por parte de algum japones se nao fosse nosso sensei de jiu-jítsu Mario Katayama , de se aproximar e ajudar enfim e muito triste ???? nossa realidade no Japão….

  3. Não me surpreendo, como somos brasileiros, nunca vamos nos acostumar com esta frieza e falta de humanidade de boa parte do povo japonês. Não generalizo, claro, como em qualquer lugar do mundo tem pessoas boas ruins. Eles são assim até entre eles mesmos;Com nós estrangeiros, não diferente. Fui em um restaurante c meu esposo em um dia qualquer e sentamos, estávamos conversando esperando nossa refeição, chegou uma senhora muito distinta japonesa, claro, a atendente à indicou p uma Mesa próxima a nossa, quando ela nos viu , imediatamente pediu p se sentar em outro lugar. Eu percebi, mas como não entendia a língua e meu esposo sim, ele falou q ela pediu p sentar em outro lugar pq não queria ficar perto de nós. Fiquei triste, mas depois passou e relevei. Só não podemos esquecer que não somos japoneses e aqui infelizmente, se tratando de lei, eles terão sempre razão.

    • Puxa, Lissandra, sinto muito pela sua experiência. Eu também já tive experiências ruins e utilizo-a de forma positiva. Procuro me policiar para não fazer o mesmo, ou seja, discriminar pessoa por raça, credo e/ou gênero. Passar por este tipo de experiência pode ser positivo caso consigamos utilizá-la de forma construtiva. Obrigado por prestigiar a nossa página.

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