De acordo com a minha experiência, muitas pessoas, não só no Japão, mas também nos Estados Unidos, acham que os problemas sociais resultam principalmente do ódio de grupos específicos. É um equívoco pensar que o racismo só pode ser transmitido pela violência.




 

Se perguntar aos japoneses: “Você odeia estrangeiros?”, a maioria das pessoas responderão: “Não existe tal coisa!”, ou seja

Não há ódio + não há violência = não há discriminação

Questionando as mesmas pessoas que afirmaram não existir discriminação racial no Japão: “Os estrangeiros lhe assustam?”, a resposta obtida pode ser mais reveladora:

“É natural ter medo de pessoas com aparências diferentes”

“Nunca tive contato com estrangeiros, esta nova experiência me assusta”

“Os estrangeiros falam uma outra língua, não consigo entender o que querem dizer. Se eu lhe der atenção posso ficar em uma situação embaraçosa”

“Estrangeiros são pessoas que vêm de uma terra que você não conhece, com diferentes valores e morais”

Estes são alguns argumentos que explicam a resistência para iniciar uma aproximação com um estrangeiro, disse Bayer McNeil ao jornal Toyo Keizai.

Um outro estrangeiro de origem brasileira que teve um contato profissional e pessoal com um executivo de uma grande empresa multinacional relata um parecer muito interessante e pontual.

O executivo japonês residiu por mais de 5 anos no Brasil para administrar a filial da empresa numa cidade do interior do estado de São Paulo. Neste período teve contato com muitas pessoas, foi tratado com muito carinho pelos brasileiros, aprendeu a gostar da culinária brasileira e da cultura. Um dia entrei em seu carro particular para ir visitar um cliente em Nagoya, no seu Crown havia uma fita cassete que prontamente foi colocada para tocar. Antes de colocar a fita cassete olhou com sorriso para mim e perguntou: “Você gosta desta música?”, para o meu espanto era um pagode.

Ele gostou tanto dos brasileiros, que após aposentar-se foi trabalhar no departamento comercial de uma empresa de terceirização de mão de obra, mais conhecida como empreiteira, na província de Aichi. Fazia questão de conversar com os candidatos à empregos e os funcionários de fábrica. Lembro-me de uma frase que explica um pouco o comportamento do japonês: “Os japoneses moram num arquipélago do tamanho do estado de São Paulo, a maioria nunca saiu daqui, existem muitos caipiras!”. O termo “caipira” referia-se a não globalização de seu povo.

Andando em cidades japonesas, principalmente em bairros com bares, restaurantes e snacks podemos observar pontualmente placas do tipo: “No foreigners”, ou seja, é uma restrição à entrada de estrangeiros. Perguntado a alguns donos de estabelecimentos o argumento foi de não possuir atendente que domine a língua inglesa. Mas em um snack, a “mama”, nome dado a gestora do bar descreveu um dos motivos por evitar a entrada de estrangeiros: “A maioria se comporta bem, interage conosco, canta e bebe. Porém na hora de pagar a conta diz que não entende a língua e não querem pagar ”.

Ultimamente há um grande número de Youtubers japoneses que são populares e têm feito discursos de quase ódio e medo aos estrangeiros. A comunidade estrangeira no Japão tem reagido com firmeza. Os vídeos possuem conteúdo ofensivo a ponto do próprio YouTube bloquear a sua exibição.

Incluir todo uma nação japonesa como racista seria algo extremamente injusto, pois há muitas pessoas extremamente carinhosas e receptivas, aberta para conhecer o novo.

Se formos abordar a discriminação, em sua causa e efeito poderia demandar linha e linhas deste portal, mas certamente é um tema a ser abordado em breve.

4 thoughts on “O racismo no Japão na ótica de “gaijin””
  1. Acho que não é possível falar em racismo baseado nas opiniões colhidas. Não vê desrespeito. Evitar contato por causa das dificuldades pessoais, é compreensível,

  2. Sou brasileira 100% casada com nissei
    E nunca fui descriminada por japoneses
    Do Japão ???????? porém muitos descendentes
    Que vivem aqui e nasceram no Brasil ????????
    Parecem não gostar da nossa presença
    Aqui . Mas o Japão ???????? sempre foi muito
    Amável e querido comigo ! Amo este lugar
    E sua cultura !

  3. Acho que o autor do artigo deve ter passado por algum trauma com orientais ????????????
    Algo que o brasileiro não entende talvez por ser um povo meio vira lata, sim, não somos um povo, sofremos migração de vários outros povos, somos uma mistura. Não temoa essa concepção de união. Aqui é cada um por si e fodase todos.
    Posso até dizer que brasileiro é o povo mais falso do mundo. Somos educados e extrovertidos e gostamos de fazer amizade inclusive com outros povos. Mas na hora do vamo ver, impera o jeitinho brasileiro do fodase, do os outros tem que me dar…
    Na hora de exigir dos nossos políticos ninguém quer. Manifestações são motivo de rolezinho e não de protesto. Na hora de exigir ou realizar ações estratégicas esse povo ou demora pra caramba ou entrega para os outros – muitas vezes estrangeiros – para se fazer.

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