A China intensifica sanções comerciais contra o Japão e investiga setor de semicondutores. Veja como a crise diplomática afeta a economia na Ásia.
As tensões entre China e Japão atingiram um novo patamar de gravidade nesta quarta-feira. Pequim iniciou uma investigação sobre as importações japonesas de diclorosilano. Este gás químico é vital para a fabricação de semicondutores.
A medida surge logo após restrições severas às exportações de bens de dupla utilização. Tais produtos possuem aplicações civis e militares. Como resultado, o cenário econômico na Ásia Oriental enfrenta incertezas profundas.
Investigação sobre Semicondutores e Dumping
O Ministério do Comércio da China justifica a ação por uma suposta prática de dumping. Segundo o órgão, o preço do diclorosilano japonês caiu 31% em dois anos. Essa queda teria prejudicado seriamente a indústria nacional chinesa.
Além disso, Pequim demonstra descontentamento com a postura política de Tóquio. A nova primeira-ministra, Sanae Takaichi, mencionou uma possível intervenção militar em Taiwan. Essa declaração gerou uma reação imediata e agressiva do governo chinês.
O Papel de Taiwan no Conflito
A visita do parlamentar Hei Seki a Taiwan inflamou ainda mais os ânimos. Ele chamou a ilha de país independente durante sua estadia. Em resposta, a China classificou o político como um “vilão mesquinho”.
Pequim considera Taiwan uma província rebelde e parte integrante de seu território. Por isso, qualquer reconhecimento de independência é visto como uma provocação direta. No entanto, o Japão defende a liberdade de expressão de seus representantes.
Possíveis Restrições às Terras Raras
Especialistas agora temem que a China limite a exportação de terras raras. Esses minerais são essenciais para veículos elétricos e tecnologia de defesa. A China controla a maior parte da produção global desses materiais.
Embora não confirmado oficialmente, o jornal China Daily sugeriu que restrições estão sendo planejadas. Primeiramente, o foco seria atingir setores estratégicos da indústria japonesa. Como resultado, empresas de alta tecnologia podem sofrer atrasos na produção.
Aliança entre China e Coreia do Sul
Enquanto a relação com Tóquio esfria, Pequim se aproxima de Seul. O presidente sul-coreano Lee Jae-myeung encerrou uma visita oficial produtiva à China. Ambos os países assinaram 24 contratos de exportação bilionários.
Por exemplo, os acordos abrangem tecnologia, transporte e proteção ambiental. Além disso, a Coreia do Sul superou o Japão como destino turístico favorito dos chineses. A China desencoraja viagens ao Japão alegando riscos à segurança pessoal.
Em conclusão, a crise diplomática redesenha as alianças comerciais na Ásia. O Japão busca agora alternativas para evitar uma dependência excessiva do mercado chinês. No entanto, a curto prazo, as restrições devem impactar cadeias de suprimentos globais.


**Portal Mundo-Nipo**
Sucursal Japão
Jonathan Miyata é Correspondente Internacional do Canal Mundo-Nipo em Tóquio. Graduado em Jornalismo pela Universidade de São Paulo e com Pós-Graduação em Estudos Asiáticos pela Universidade de Tóquio (Todai). Atua na cobertura de política, tecnologia e cultura japonesa há mais de 8 anos, com passagens pelo grupo Abril antes de integrar o Mundo-Nipo.
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