O CDPJ planeja moção de censura contra o Gabinete no Parlamento japonês. Entenda como a crise política pode afetar o governo em 2026.
A política japonesa inicia 2026 sob forte tensão entre o governo e a oposição. O principal partido opositor, o CDPJ, estuda apresentar uma moção de censura contra o Gabinete. Yoshihiko Noda, líder do partido, indicou que a ação deve ocorrer no Parlamento em 23 de janeiro.
Essa estratégia visa fortalecer a imagem da legenda perante a opinião pública. Atualmente, o apoio ao CDPJ permanece em apenas um dígito nas pesquisas recentes. No entanto, a eficácia dessa medida depende da união de outros blocos políticos.
O desafio da oposição no Parlamento
No ano passado, a oposição perdeu grandes oportunidades de pressionar o governo. O CDPJ se absteve de agir quando a coalizão governista estava em minoria. Como resultado, Noda enfrentou duras críticas internas sobre sua real intenção de governar.
Agora, o cenário mudou drasticamente após as últimas movimentações políticas. O PLD e o Partido da Inovação do Japão detêm a maioria na Câmara Baixa. Além disso, o CDPJ não consegue aprovar a moção de censura no Parlamento de forma isolada.
Alianças políticas e o orçamento de 2026
A busca por aliados tornou-se uma tarefa complexa para os opositores. O partido Komeito prometeu manter uma atitude imparcial nas deliberações oficiais. Primeiramente, Noda precisa convencer outros grupos de que o governo falhou em suas metas.
As críticas se concentram no orçamento para o ano fiscal de 2026. O líder opositor afirma que os gastos previstos são excessivamente altos. Por exemplo, ele pretende apresentar uma proposta alternativa para combater os gastos públicos.
Escândalos e reforma da seguridade social
Outro ponto de conflito envolve a equipe do Ministro Yoshimasa Hayashi. Existem questionamentos sobre pagamentos feitos durante a última campanha eleitoral. Noda exige que a coalizão assuma a responsabilidade por essas irregularidades financeiras.
No entanto, o Partido Democrático para o Povo já sinalizou cooperação com o governo. Essa aproximação enfraquece a frente ampla de oposição necessária para a mudança. Como resultado, o CDPJ corre o risco de ficar isolado em suas demandas.
O risco de cooptação do governo
O partido também participará de discussões sobre a reforma da seguridade social. O debate foca em um novo sistema de crédito tributário para a população. Contudo, existe um receio legítimo entre os membros da própria legenda opositora.
Muitos temem que o CDPJ acabe sendo cooptado pela coalizão governista. Em conclusão, o desfecho da moção de censura no Parlamento definirá o rumo político do Japão. A sessão de janeiro será decisiva para o futuro do atual Gabinete.


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Sucursal Japão
Jonathan Miyata é Correspondente Internacional do Canal Mundo-Nipo em Tóquio. Graduado em Jornalismo pela Universidade de São Paulo e com Pós-Graduação em Estudos Asiáticos pela Universidade de Tóquio (Todai). Atua na cobertura de política, tecnologia e cultura japonesa há mais de 8 anos, com passagens pelo grupo Abril antes de integrar o Mundo-Nipo.
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