A cremação é uma prática muito bem aceita por 98% dos japoneses. Ela tem uma influência budista e foi inicialmente trazida da China, a partir de 552 d.C. 




 

O motivo da aceitação desse tipo de despedida, é porque no Japão o número populacional é muito alto e a quantidade de espaço para sepultamento é bem escasso.  

Em 1867, foi promulgada uma lei que tornava obrigatória a cremação de pessoas que falecessem de doenças contagiosas, com o objetivo de controlar as eventuais epidemias. E por isso, a cremação foi tão bem aceita e difundida por todas as religiões com o passar dos anos. 

Inclusive, você sabia que apenas 2% da população japonesa segue o cristianismo? A religião mais difundida por lá é o Budismo e o Xintoísmo e em ambas as religiões consideram abominável, profano e vergonhoso a ideia de deixar um corpo entrar em decomposição. 

Os costumes fúnebres podem variar de acordo com cada região, religião e situação socioeconômica da família, mas alguns deles estão presentes em quase todo o Japão. 

 

O velório 

O corpo é colocado em um caixão, na presença da família e amigos que estarão vestidos de preto em sinal de luto. 

No caixão, são dispostos itens pessoais e coisas que o falecido mais gostava em vida. 
Depois disso ele é levado ao necrotério. 

Os parentes e amigos vão um a um, a frente do altar, acender um incenso e se curvam para tocar um sino e fazer orações. Depois dirigem-se para a família para prestar condolências.  

 No Japão é bem comum que a família e amigos contribuam para as despesas do funeral. 
O dinheiro é entregue em um envelope especial chamado Koden, que é próprio para condolências.  Os valores podem variar entre ¥ 3mil à ¥30 mil. 

Vale lembrar também que é considerado malvisto, aqueles que oferecerem valores com o número 4, visto que esse número no Japão é considerado “morte”.  

 Após a cerimônia muitos vão embora, exceto a família e amigos muito próximos que passam a noite de vigília com o falecido. 

 

O ritual de cremação  

Este é um ritual em que toda a família deve participar, incluindo as crianças. 

O caixão é colocado sobre uma mesa no crematório e os familiares devem deslizar o caixão para dentro da câmara de cremação, em seguida, todos aguardam a cremação ser concluída. Todo o processo leva em média 2h. 

 Após a cremação, os ossos e cinzas são colocados em uma urna, onde os familiares, através de hashis especiais ou pinças de metal, passam de mão em mão, os ossos do falecido desde o pé até o crânio. 

Esse processo é feito para que o crânio não fique na parte inferior da caixa. 
Depois deste ritual de coleta, que é chamado de “kotsuage”, a urna é levada ao altar budista da família, onde fica ao lado de uma tabuleta de madeira inscrita o nome póstumo do falecido. 

Segundo os budistas mais devotos, o nome póstumo evita que a pessoa retorne do mundo dos mortos quando o seu nome é proferido. 

 

Custo 

Os custos com o funeral são bem caros, sendo o preço médio um valor em torno de ¥ 2 milhões, podendo chegar a até ¥ 10 milhões, dependo dos serviços contratados. Entretanto, o governo japonês se prontifica a reembolsar em ¥ 70 mil ienes e os amigos e familiares contribuem para parte das despesas. 

Já no caso de estrangeiros, o custo para a repatriação do falecido ao seu país de origem pode variar muito, custando em torno de U$5 mil a U$15 mil. 

Como muitos estrangeiros são cristãos, acredito que muitos gastos devem ser cortados e a cerimônia ainda pode ser realizada em uma igreja cristã. 

Perder quem amamos não é nada fácil, mas precisamos estar preparados para isso.
 

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