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Cobrar mais caro de estrangeiro: absurdo

- 10 de janeiro de 2026
Entenda a polêmica dos preços diferenciados no Japão. Restaurante de ramen gera debate sobre cobranças maiores para estrangeiros e turistas.

Entenda a polêmica dos preços diferenciados no Japão. Restaurante de ramen gera debate sobre cobranças maiores para estrangeiros e turistas.

A prática de aplicar preços diferenciados no Japão ganhou destaque após uma confusão em Osaka. Uma famosa loja de ramen no distrito de Minami adotou valores distintos para clientes locais e visitantes internacionais. O estabelecimento serve o popular estilo “Iekei” com caldo de soja tonkotsu. No dia 4 de janeiro, um turista reclamou do valor cobrado por sua refeição.

A situação escalou para uma discussão acalorada entre o cliente e os funcionários da unidade. O restaurante chamou a polícia para conter os ânimos do visitante insatisfeito. Como resultado, o debate sobre a justiça dessas cobranças se espalhou por todo o país rapidamente.

A diferença de valores e o sistema de pedidos

O ramen padrão custa 1.000 ienes no menu escrito em língua japonesa. No entanto, o cardápio em línguas estrangeiras oferece uma versão de 2.300 ienes. Segundo Yusuke Arai, do Grupo Wagoya, o menu internacional possui ingredientes adicionais pré-selecionados.

Além disso, a empresa alega que as opções são limitadas para evitar erros de comunicação. Clientes japoneses podem personalizar a firmeza do macarrão e a intensidade do sabor. Por outro lado, estrangeiros recebem uma tigela já configurada para facilitar o serviço rápido. O restaurante afirma que o lucro extra serve para melhorar os salários dos colaboradores.

Preços diferenciados no Japão viram tendência em pontos turísticos

Muitos estabelecimentos justificam a alta de preços pelo custo de serviços multilíngues. Por exemplo, museus e galerias nacionais estudam taxas elevadas para cobrir despesas operacionais. Em alguns casos, as estimativas de entrada para turistas chegam a 5.800 ienes.

No entanto, nem todos os locais conseguem implementar essas medidas sem sofrer forte resistência. O Castelo de Himeji planejou cobrar quatro vezes mais de quem vem de fora. No final, a cidade decidiu diferenciar os valores entre residentes e não residentes em 2025.

Comparação com modelos internacionais de precificação

Práticas semelhantes de preços diferenciados no Japão encontram paralelos em monumentos famosos no exterior. O Museu do Louvre cobrará taxas maiores para visitantes que residem fora da Europa. Da mesma forma, Angkor Wat no Camboja garante entrada gratuita apenas para seus cidadãos locais.

Em conclusão, especialistas alertam para a necessidade de transparência total nestas transações comerciais. As empresas devem explicar claramente o valor agregado oferecido por um preço mais alto. A clareza evita conflitos e garante que a reputação do turismo japonês permaneça positiva.

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**Portal Mundo-Nipo**
Sucursal Japão

Jonathan Miyata é Correspondente Internacional do Canal Mundo-Nipo em Tóquio. Graduado em Jornalismo pela Universidade de São Paulo e com Pós-Graduação em Estudos Asiáticos pela Universidade de Tóquio (Todai). Atua na cobertura de política, tecnologia e cultura japonesa há mais de 8 anos, com passagens pelo grupo Abril antes de integrar o Mundo-Nipo.

Reportagem: Esta é uma descrição de eventos e ocorrências cujo conteúdo é rigorosamente fundamentado em dados e fatos. As informações são verificadas por meio da observação direta do repórter ou mediante consulta a fontes jornalísticas consideradas idôneas e confiáveis.

Fonte: Mainichi Shimbun, Japan Today, NHK World, Yahoo Japan News, Kyodo News

Edição e publicação responsável: Mundo-Nipo Notícias

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