152 visualizações 7 min 0 Comentário

A Capacitação para deficientes físicos traz bons resultados

- 28 de agosto de 2023

O número de empregadores no Japão que contratam pessoas com deficiência está aumentando. No entanto, muitas empresas contratam simplesmente para cumprir cotas definidas pelo governo, e os empregos oferecidos tendem a ser de categoria inferior e mal pagos.

Matsukawa Rikiya começou recentemente a dar aulas de desenvolvimento de carreira e consultoria para pessoas com deficiência.

Na adolescência, Matsukawa teve uma hemorragia cerebral que o deixaria paralisado no lado esquerdo do corpo. Desde então, ele se dedica a ajudar outras pessoas com deficiência.

Valioso treinamento

O governo central e os de províncias e municípios no Japão oferecem programas de treinamento profissional para pessoas com deficiência — em sua maioria gratuitos. Grandes empresas precisam garantir que trabalhadores com deficiência correspondam a pelo menos 2,3% do seu quadro de funcionários.

Matsukawa acredita, porém, que depender de programas governamentais priva pessoas com deficiência de oportunidades de emprego. Ressalta que o treinamento tende a ser básico e prepara as pessoas para trabalhos em geral mal remunerados.

“Indivíduos que não têm deficiência costumam gastar dinheiro para aprimorar suas habilidades”, ressalta ele. “Quero que as pessoas com deficiência façam o mesmo. Não sinto nenhuma culpa por receber pagamentos de indivíduos com deficiência interessados em gastar o próprio dinheiro para melhorar de vida.”

Matsukawa consultou empreendedores para descobrir que tipo de habilidades são valorizadas. Usou os resultados da pesquisa para desenvolver um programa que visa tornar pessoas com deficiência mais competitivas no mercado de trabalho. Juntamente com o desenvolvimento de habilidades que dão ênfase a trabalhos on-line, ele e a sua equipe de instrutores ajudam interessados a elaborar um plano de carreira.

Matsukawa espera que o programa sirva para ajudar a aumentar os salários das pessoas com deficiência, que giram em torno de 70% da remuneração média na sociedade.

Um dos primeiros clientes de Matsukawa trabalhava como cabeleireiro até ficar com a mobilidade limitada por uma lesão na coluna ocorrida quatro anos atrás. Okawa diz que teve dificuldade de imaginar uma carreira gratificante para si mesmo e enfrentou falta de oportunidades. Há um ano, conseguiu emprego em um escritório, mas estava insatisfeito com o salário anual, de aproximadamente 22 mil dólares.

Okawa diz que o programa criado por Matsukawa mudou a sua atitude em relação ao trabalho. Agora está à procura de um emprego que aprecie realmente, em vez de um trabalho que outras pessoas achem que ele deva desempenhar.

“Passei a me imaginar daqui a dez anos”, explica. “Tenho objetivos próprios, como o de conseguir um bom emprego e uma renda mais elevada. Além de me dedicar à minha ocupação, também penso em aproveitar a vida. O programa não só me conferiu habilidades, como também aumentou a minha determinação de desenvolver o tipo de vida que almejo.”

Ele diz que, concluídos três meses de treinamento on-line, passou a ter maior confiança quanto ao que é capaz de alcançar. Também dispõe hoje de uma melhor noção do que tem a oferecer a potenciais empregadores, incluindo fortes habilidades em tecnologia da informação e a capacidade de trabalhar com colegas na criação de algo especial.

Com a pandemia do coronavírus, a forma como as pessoas trabalham se tornou bem mais diversificada. Uma profissional dedicada a consultoria vocacional observa que a tendência de trabalhar em casa gerou novas oportunidades para pessoas com deficiência.

Tazawa Yuri presta orientação sobre trabalho remoto. “Grandes empresas que estão dispostas a contratar pessoas com deficiência tendem a estar localizadas nas grandes cidades”, destaca. “Mas, com o aumento do teletrabalho, empresas de grandes cidades podem contratar pessoas que, por qualquer motivo, vivam em localidades do interior”.

Há nove anos Tazawa emprega um indivíduo que sofre de atrofia muscular espinhal. Yoshinari Kentaro tem graves problemas de mobilidade e está internado em um hospital. Ele trabalha cerca de três horas, na maioria dos dias da semana, para a empresa de Tazawa. Entre suas atribuições está a produção de artigos para revistas on-line e vários tipos de material promocional.

“Yoshinari não é capaz de realizar tarefas com grande rapidez, mas faz um excelente trabalho sempre que dispõe de tempo”, conta Tazawa. “As empresas devem atribuir tarefas com base na capacidade de trabalhadores específicos. É o que fazem para funcionários sem deficiência e o que lhes possibilita melhorar o aproveitamento do seu quadro de pessoal.”

Yoshinari e Okawa são exemplos do talento e do trabalho árduo que pessoas com deficiência podem conferir à força de trabalho. As empresas japonesas se debatem com uma constante redução do número de pessoas em idade de trabalhar. Paralelamente ao aumento da diversidade nos estilos de trabalho, advém uma abertura para que pessoas com deficiência forjem carreiras que atendam às suas aspirações e ofereçam as habilidades exigidas pelas empresas, ao mesmo tempo em que se reduz a diferença salarial.

Portal Mundo-Nipo

Sucursal Japão – Tóquio

Jonathan Miyata

Comentários estão fechados.