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Japão, Líder Global no Fenômeno do Abandono Silencioso no Trabalho

- 21 de junho de 2024

Classificação dos Trabalhadores Segundo a Gallup Engajados, Não Engajados e Ativamente Desengajados.

As estatísticas divulgadas na quarta-feira revelam que o Japão é um líder global no fenômeno do “abandono silencioso” no trabalho, desmistificando as lendas urbanas sobre a dedicação extrema dos trabalhadores japoneses. Apenas 6% da força de trabalho japonesa está engajada, um dos índices mais baixos do mundo, enquanto um terço está à procura de emprego ou novas oportunidades, conforme o relatório State of the Global Workplace da Gallup.

Comparação Global

Nos Estados Unidos, 33% dos trabalhadores estão engajados, na Austrália 21%, no Reino Unido 10% e na China continental 19%. Hong Kong, com laços estreitos com o Japão, também apresenta um índice de 6% de engajamento.

Classificação dos Trabalhadores

O relatório da Gallup classifica os trabalhadores em três grupos: engajados, não engajados e ativamente desengajados. Os não engajados são considerados desistentes silenciosos, enquanto os ativamente desengajados são hostis aos empregadores e tentam minar os colegas. No Japão, 94% dos trabalhadores estão nas duas últimas categorias.

Fatores Contribuintes

Leis trabalhistas rigorosas, que dificultam o despedimento de trabalhadores, e gestores que se esforçam para reter funcionários, contribuem para manter os desinteressados em seus postos. Heath Havey, advogado trabalhista internacional e presidente da Japan Employment Solutions, explica que os chefes podem insistir que seus funcionários não se demitam, ameaçando sabotar a procura de emprego ou exigir que esperem até que um substituto seja encontrado.

Impacto Econômico

A demissão silenciosa e a força de trabalho descomprometida têm implicações econômicas significativas. Segundo a Gallup, as empresas japonesas perderam mais de 86 bilhões de ienes (550 bilhões de dólares) em 2023 devido ao custo de oportunidade do baixo engajamento.

Mudança Geracional

A mudança geracional está alterando o panorama, com mais trabalhadores buscando carreiras não tradicionais, empregos com maior flexibilidade e priorizando o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Uma pesquisa da Persol Research and Consulting em maio revelou que as transferências de funcionários são um impedimento para jovens trabalhadores que desejam mais autonomia.

Respostas das Empresas

Algumas empresas estão adotando acordos de trabalho flexíveis em resposta às novas expectativas. Kanika Singh, diretora regional da Gallup, sugere que as empresas devem ser proativas na obtenção de feedback dos funcionários e na compreensão de suas necessidades e motivações, especialmente em meio a uma mudança geracional.

Desafios para o Japão Empresarial

A mudança geracional apresenta desafios únicos para o Japão empresarial. Enquanto os estilos de trabalho tradicionais enfatizavam o esforço de equipe com pouco incentivo extra para desempenho, as atitudes dos trabalhadores estão mudando mais rapidamente do que a legislação trabalhista. Heath Havey destaca que a lei não mudou, dando aos trabalhadores mais influência e forçando os empregadores a serem mais criativos quando seus empregados não estão desempenhando bem.

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