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Japão Revisa Plano Energético em Resposta ao Crescimento dos Centros de Dados e Inteligência Artificial

- 18 de maio de 2024

Meta Ambiciosa: Japão Rumo à Neutralidade de Carbono até 2050: Estratégias e desafios na transição energética do país.

O Ministério da Indústria do Japão está atualmente revisando o plano energético básico do país, em um momento crucial em que o aumento dos centros de dados e a expansão da inteligência artificial (IA) impulsionam a demanda por energia. Este plano, que orienta a política energética nacional de médio e longo prazo, é revisado trienalmente e está agora focado em equilibrar a necessidade de energia com a urgência global de descarbonização.

A revisão, iniciada em uma reunião do subcomitê do Comitê Consultivo para os Recursos Naturais e Energia, visa integrar de forma eficaz as centrais nucleares e as fontes de energia renováveis no mix energético do Japão. Essa estratégia é essencial para reduzir as emissões de dióxido de carbono e alinhar-se com a tendência global de descarbonização.

O ministro da Indústria, Ken Saito, destacou a gravidade da situação energética do Japão, comparando-a com os desafios enfrentados no pós-Segunda Guerra Mundial. Ele enfatizou a importância de garantir um fornecimento estável de energia sem carbono como um pilar do poder nacional do país.

O governo japonês está comprometido em reduzir as emissões de gases de efeito estufa a zero até 2050 e já iniciou discussões sobre uma estratégia de descarbonização de longo prazo até 2040. O objetivo é atualizar o plano energético básico até o final do ano fiscal de 2024, com foco na redução da dependência do país da geração de energia térmica, que atualmente representa cerca de 70% do fornecimento total de energia.

O plano atual, estabelecido em 2021, prevê que as energias renováveis representem 36-38% do fornecimento de energia até o ano fiscal de 2030, enquanto as centrais nucleares deverão contribuir com 20-22%.

A revisão do plano também abordará os desafios impostos pelos riscos geopolíticos e o aumento dos preços do gás natural liquefeito, exacerbados pela invasão da Ucrânia pela Rússia e pelas tensões no Médio Oriente. O Japão, que importa cerca de 90% de seu petróleo bruto dessa região, enfrenta uma necessidade crescente de diversificar suas fontes de energia e aumentar a segurança energética.

Além disso, a rápida propagação da IA, especialmente desde a última atualização do plano, destaca a importância de garantir um fornecimento estável de eletricidade. A demanda por energia está projetada para aumentar significativamente, impulsionada pela construção e expansão de centros de dados e fábricas de semicondutores. Estima-se que a demanda máxima de energia em 2033 será 5,37 milhões de quilowatts maior que em 2023, o equivalente à produção de cerca de cinco reatores nucleares.

O Mitsubishi Research Institute alerta para a necessidade de desenvolver tecnologias de economia de energia para semicondutores, enfatizando que, sem medidas suficientes, pode ser necessário aumentar a produção de energia para atender à crescente demanda. A eficácia da IA é crucial para a competitividade internacional das indústrias japonesas, e o país enfrenta o desafio de equilibrar essa necessidade com as restrições de energia.

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