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Por que há desempregados no Japão e há mais brasileiros indo do Brasil?

- 26 de outubro de 2020

Este tema é muito curioso e nós do Portal Mundo-Nipo decidimos averiguar o que de fato está acontecendo.

Como há brasileiros sendo contratados para ir trabalhar no Japão sendo que há muitos desempregados no Japão?

Entrevistamos algumas agências localizadas na cidade de São Paulo, além de empreiteiras que terceirizam a mão-de-obra no Japão.

Há realmente desempregados no Japão?
Sim, há um grande número de desempregados na região de Tokai (Aichi, Gifu, Mie e Shizuoka). A pandemia freou às atividades das indústrias, que tiveram que realizar cortes de pessoal. Ao contrário da crise de 2008, em que a ordem para corte de pessoal foi Terceirizados (funcionários de empreiteiras) -> Efetivos (Sei-shain), o cenário atual foi mais cruel com os funcionários terceirizados, aonde a maioria dos brasileiros se enquadram.
A ordem de dispensa conforme o cenário atual foi: Terceirizados (funcionários de empreiteiras) -> Estagiários (Asiáticos) -> Efetivos (Sei-shain).

Por que os asiáticos tiveram maior estabilidade que os terceirizados brasileiros?
O motivo da estabilidade de emprego dos asiáticos quando comparado aos dos brasileiros é devido o contrato fechado no momento da admissão, é um contrato direto com a indústria com duração mínima de 3 anos. As empreiteiras apenas recebem uma quantia para prestar suporte (hospital, transporte, etc.) aos estagiários.

Mas se há brasileiros desempregados principalmente na região de Tokai, por que não contratá-los primeiro ao invés de trazer novos recursos do Brasil?
A maioria das pessoas que foram dispensadas no período crítico da pandemia estão fazendo usufruto do seguro desemprego. O período de cobertura do seguro desemprego varia conforme o período de contribuição e se houve utilização durante este período. O prazo de cobertura é de 6 a 18 meses.
O valor a receber de seguro desemprego varia conforme o valor da contribuição de cada um, quanto maior o salário, maior será a contribuição.

O que chegamos a constatar foi de que as pessoas que estão recebendo o seguro desemprego optam por ficarem inativos enquanto não encontram uma oportunidade de emprego que os agradem, ou seja, muitos ficam inativos por mera opção.

Mas há pessoas que já finalizaram o seguro desemprego e continuam inativos, qual seria o motivo?
Sim, há casos que os levam a esta situação, pois a oportunidade de emprego na região com grande concentração de brasileiros é escassa. Mas caso optassem em mudar-se para uma outra região haveriam como se empregarem.
As províncias do sul do arquipélago japonês vivem momentos de escassez de mão-de-obra, ou seja, há vagas de empregos para admissão imediata.
Um dos motivos que não os motivam a mudar de região está no fato de possuírem moradia alugada por conta própria, a escola das crianças. Mas isto deve ser entendido como opção de cada um.

Mas podemos citar um outro fator que prejudica a empregabilidade numa fase de crise econômica, o currículo profissional. Trabalhadores que permaneceram um período inferior a 12 meses em cada empresa, que saltaram de empresa para uma outra, certamente passarão por grande dificuldades na atual conjuntura.

CONCLUSÃO
Não há como discordar que a economia japonesa foi severamente afetada pela pandemia, isto se deve à economia estar globalizada.
Mas de acordo com várias entrevistas feitas com contratantes, agenciadores e brasileiros que atuam no Japão, entendemos que há regiões mais distantes do grande centro com alta demanda de mão-de-obra.
Aos que buscam uma nova oportunidade de emprego sugerimos que procurem vagas em regiões distantes das que possuem grande concentração de brasileiros. Na maioria dos casos são do segmento de alimentos, porém percebemos que há gradual aumento na contratação nos segmentos de autopeças e eletrônicos.

Portal Mundo-Nipo
Sucursal Japão Tóquio
Jonathan Miyata